Sobre meditação e o riacho da mente

De todas as dificuldades encontradas na prática da meditação, o silenciar da mente é a mais difícil delas. Muitos são os que se propõem a meditar e acabam desistindo por, simplesmente, não conseguirem esvaziar suas mentes…

Somos bombardeados diariamente com todo tipo de informação, vindo das mais diversas fontes. Nossa sociedade idolatra o pensamento acima de tudo e nos obriga a todo instante estar raciocinando sobre tudo. Mesmo sobre as coisas mais banais.

Internet, TV, músicas, placas, cartazes, jingles… todo tipo de informação nos chega a mente e, para a maioria, é extremamente difícil aquietar a mente e relaxar. Silenciar…

Quantos de nós já não perdemos o sono pois não conseguíamos parar de pensar em uma coisa qualquer? Quantos de nós não sentiram-se frustrados ao sentar pra meditar e ver nossas mente flutuarem através de muitos assuntos sem conseguir se fixar no silencio pretendido da meditação?

Certa vez, conversando com meu companheiro animal (ou totem) cheguei a uma interessante analogia para aprender a limpar minha mente. E é isto que gostaria de compartilhar com vocês.

Nossa mente funciona como uma espécie de rio ou riacho onde estamos parados com água até a cintura. Vindo da nascente nós vemos flutuando pela água dezenas de objetos de formas, texturas e cores diferentes. Cada objeto desse é um pensamento. Uma idéia, uma lembrança.

Constantemente somos atraídos pela beleza de um deles e catamos para analisarmos. Ficamos por alguns minutos, as vezes horas, observando aquele objeto/pensamento. Analisamos sua forma, defeitos e qualidades. Nos perdemos nos mais diversos detalhes até que passa algum outro objeto que nos chame novamente a atenção e, abandonando o primeiro, catamos o segundo para, novamente, observa-lo e estuda-lo.

As vezes acabamos encontrando objetos semelhantes e, ao analisarmos, acabamos fundindo-os e formando uma nova ideia. As vezes brilhante, e nos perguntamos “como nunca pensei nisso antes?”

Um rio feito de imaginação, inspiração, idéias e pensamentos…

Mas as vezes, quando precisamos esvaziar nossa mente, estamos tão acostumados a coletar objetos nas águas que não conseguimos vencer este hábito.

Foi então que percebi que, para limpar a mente durante uma meditação, eu precisava parar de pegar os objetos.

Claro que eles continuam sendo incrivelmente chamativos e não conseguimos desviar nosso olhar deles. Muitas vezes vemos aqueles objetos belos e intrigantes passar por nós e nos vem uma tremenda vontade de pega-los. Mas é ai que esta o truque. Devemos deixa-los passar por nós. Mesmo que os sigamos com os olhos até perde-los de vista. Devemos deixar os pensamentos passarem por nós se nos apegarmos a nenhum deles.

No princípio é bastante complicado. Mas, com o tempo, começamos a perceber a beleza que esta presente além dos objetos. Nas águas, na paisagem. Começamos a analisar o conjunto completo. Todas aquelas idéias e pensamentos flutuando ao nosso redor. Vindo de uma fonte desconhecida dos confins do nosso ser e seguindo para um inalcançável mundo de inspirações…

Começamos a perceber que não precisamos nos apegar a qualquer idéia ou pensamentos. Elas passam. Sempre passam. E nós ficamos. Imóveis, em meio as águas.

Começamos a perceber o quão bela é a paisagem da nossa mente. E o quanto havíamos ignorado dela ao nos apegamos à idéias passageiras. Percebemos que existe um mundo de cores, sons e textura nas coisas. No nosso ser que é bem mais interessante e apaixonante que meras idéias…

E é, então, que percebemos que não precisamos realmente ver nada daquilo. Pois existem outros modos de sentir toda aquela belíssima paisagem. Através dos sons, das texturas, dos aromas…

E finalmente conseguimos fechar os olhos. Ficamos parados em meio as águas. Sentindo as leves ondulações ao nosso redor. Sentindo o cheiro da água e da paisagem. Sentindo a leve brisa tocar na nossa face.

Sentindo o silêncio…

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This entry was published on 6 de August de 2012 at 12:01 and is filed under Conversas com o totem, Paganismo. Bookmark the permalink. Follow any comments here with the RSS feed for this post.

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